—Na guerra! Pum! Pum!
—Anda vêr onde elle está.
E, pegando-lhe na mãosinha, fechou-lhe os trez dedos mais pequenos, estendeu-lhe o indicador, e foi-lh'o levando por todas as terras por onde o pae tinha seguido. O dedo da creança ia subindo montanhas, descendo aos valles, atravessando as planicies, costeando pelo litoral e cortando o mar. O pequeno balbuciava todos os nomes que a mãe proferia. Quando chegou á Criméa parou. Ergueu a sua cabecinha loura, e levantou os olhos para a luz do candieiro, a vêr se elle lhe fazia a mercê de o alumiar bem. Depois levou a mão ao abat-jour e tirou-o para o lado.
—Deixa o candieiro, meu filho.
—Ora, ora—exclamou o Miguel, fazendo biquinho.
—Deixa, meu filho—pedia a mãe.
—Eu quero vêr o papá.
E debruçou-se outra vez sobre a carta, a procurar com o olhar investigador um ponto qualquer.
A mãe, n'esse instante, com o mais novinho adormecido nos braços, olhou para o crucifixo, que tinha pendurado á cabeceira, e principiou a rezar baixinho, com duas grossas lagrimas a tremerem-lhe á flôr das palpebras.
—Está aqui o papá?—perguntou o Miguel.