Fôra o proprio frei Simão que proporcionára aos dois namorados o ensejo de poderem fallar sem testemunhas.

—Vamos ali ao pomar, gozar a sombra, dissera elle. Anda d’ahi, Anninhas, para fazeres as honras da casa ao nosso hospede, emquanto eu vou regar as minhas flôres.

O pomar da casa do Outeiro, ao qual se descia pela escada de pedra do páteo, era pequeno. Hoje quasi não existe. Encostado á parede do edificio havia um canteiro, onde frei Simão cultivava algumas flôres. Sob uma macieira, um banco de cortiça era o poiso predilecto do frade.

Anna de Vasconcellos e José Maximo, tendo descido as escadas, ficaram por algum tempo de pé, junto á macieira, cuja sombra cobria o banco.

Frei Simão pareceu desde logo muito entretido em regar as flores do pequeno canteiro, que era em Cezár a mais alegre das suas distracções. De costas voltadas para os dois, andava curvado, simulando dar a maxima attenção ao que estava fazendo.

Anninhas entretanto dizia a José Maximo:

—Eu não te sei aconselhar com os argumentos do mano frei Simão, mas peço-te que sigas os seus conselhos, e que não queiras saber mais de politica. Ah! como eu detesto a politica, que tanto nos faz soffrer aqui pela hostilidade de quasi todos os nossos visinhos!

—Podes estar certa, respondia José Maximo, de que apenas pensarei em ti por amor dos livros, e nos livros por amor de ti.

N’este momento frei Simão voltou-se e fingiu-se muito admirado de os vêr ainda de pé.

—Então, disse elle, não teem ahi esse banco de cortiça para sentar-se?! Olhem que eu, em começando a jardinar, esqueço-me do tempo, e fal-os-hei aborrecer com a demora.