E foi receber á sala Ignacio da Fonseca.

O tio de José Maximo vinha, disse elle, visitar o sr. abbade.

—O sr. abbade, respondeu padre Antonio, não está cá; mas eu tenho muito praser em receber a visita e qualquer ordem de Vossa Mercê.

Emquanto isto respondia, accentuava-se no espirito do coadjuctor uma justa extranhesa. Pois seria crivel que Ignacio da Fonseca não tivesse dado pela sahida do abbade, que, segundo o costume, partira com grande estrépito de cavallos, e cortejo de criados? Não era. Então havia qualquer motivo secreto n’esta inesperada visita.

A breve trecho, notou padre Antonio que Ignacio da Fonseca não só não fallava de politica, que era o seu thema predilecto, mas parecia preoccupado em observar o que quer que fosse.

—O sr. abbade, insistiu padre Antonio procurando esclarecer a suspeita que lhe assaltára o espirito, foi ao Porto visitar os seus parentes. Costuma sempre demorar-se alguns dias. Mas admira que Vossa Mercê não soubesse da sua ausencia...

—Não sabia...

—Vossa Mercê parece-me hoje muito distraido! Tem algum negocio grave, que lhe dê cuidado?

Ignacio da Fonseca mostrou-se contrariado com esta pergunta do coadjuctor.