Um dos retratos representa aquelle actor vestido de fadista, guitarra em punho, tal como apparecia no palco.

Dizeres do frontispicio: Fado Roldão, cantado pelo auctor, etc.

Ora, como já dissemos em outro logar, este Fado é, com leves alterações, especialmente na 2.ª parte, a canção Hija del Guadalquivir, que estava publicada desde 1894, no Porto, em o Cancioneiro de musicas populares.

Não dizemos isto como censura, mas apenas para notar uma coincidencia casual, que muitas vezes se tem dado na poesia e na musica.

O actor Jorge Roldão nasceu em 1859: foi musico de infantaria 16; entrou para o theatro como executante na orchestra; depois passou a ponto, e de ponto a actor. Trabalhou no Porto, nos theatros D. Affonso e Carlos Alberto; em Lisboa tem trabalhado nos theatros da Rua dos Condes, Principe Real, Trindade e Avenida.

Artista de merito secundario, é comtudo uma «utilidade».

Roldão cantava o «seu» Fado em ré maior.

No folheto Fados modernos vem a lettra de um Fado para o Roldão.

Rosa de Vila (Fado)

Composto pelo sr. Julio Neuparth expressamente para ser cantado pela artista d’aquelle nome na festa de caridade realizada no Colyseu dos Recreios, a 26 d’abril de 1904, em beneficio da classe dos vendedores de jornaes de Lisboa, após a gréve dos typographos.