Sôe a guitarra que abala
O albergue dos desgraçados,
E sob tectos doirados
Por’hí se ouve em muita sala.
O Fado é, para o fadista, a melhor de todas as musicas, a mais dôce, a mais terna, a mais estonteadora: o que vale ao Padre Santo, para não ultrajar a dignidade da tiara, é «não saber o gosto que o Fado tem»; o Diabo, nas profundezas do inferno, arde menos no fogo das suas paixões quando se põe a cantar o Fado como um faia da Mouraria:
O diabo lá no inferno,
Onde nos leva ao chamusco,
Tambem o Fadinho canta
Como o mais bello patusco.
Um Fado infernal descreve a macabra alegria do Averno quando lá sôam os accordes de algum Fado mephistophélico: