Em toda esta região, que vamos atravessando, houve outr'ora porém um senhor ainda mais poderoso do que D. Diniz: era o mar.
Alfeizerão, que deixamos ha muito, terra dentro, fôra até ao seculo XVI um bello porto de mar, que podia abrigar mais de oitenta embarcações.
D. Diniz, que tinha em Monte Real a sua habitação[{60}] predilecta, quiz fazer na villa de Paredes um porto de mar. Sobre as ruinas de Paredes assenta a actual Pederneira.
Fez-se effectivamente o porto, porque, como diz o proverbio, El-rei Diniz fez quanto quiz, mas grandes alluviões de areia foram obstruindo o porto. D. Diniz pretendeu pôr um obstaculo a essas enormes alluviões mandando semear o pinhal de Leiria e adoptando outras providencias conducentes ao mesmo fim.
Uma d'essas providencias consistiu em ordenar aos foreiros da casa da Nazareth que lançassem, contra o mar, um certo numero de carradas de areia, que o vento fosse accumulando no largo da egreja e nas ruas do Sitio.
Da povoação de Paredes, que devia ser importante, graças ao movimento do seu porto, existe apenas... a Pederneira.
O mar espraiou-se pois por toda esta região, que vamos atravessando, até que as alluviões de areia lhe disputaram o dominio.
E hoje a locomotiva assobia o hymno do progresso atravez do pinhal de D. Diniz, deixando ao largo o mar, que perdemos de vista para só tornar a enxergal-o nas proximidades da Figueira da Foz.
A estação que se segue á da Marinha Grande é a de Leiria.[{61}]
No alto do monte escarpado, o castello de Leiria, com a sua torre de menagem menos mal conservada, desenha-se no azul, immovel e sereno.