Mas n'esse dia parece que o loiro principe sol estava tão tonto de somno como aquelle sujeito da anecdota, que acordando ao estrondo do despertador,[{108}] o atirou pela janella fóra muito zangado, tornando a ir deitar-se.

Eu proprio, para que tudo fosse excepcional n'aquella madrugada, fiz de guarda-nocturno e andei a bater á porta de um e outro.

—Que eram horas. Que já o char-à-bancs estava á nossa espera na Praça.

E todos elles, uns e outros:

—Já lá vou. Estou a lavar a cara. Estou a vestir o casaco.

Pois o sol tambem n'aquella manhã levou muito tempo a lavar a cara e a vestir o casaco.

Reuniu-se a troupe,—dez ou doze amigos—, subia o char-à-bancs a passo a Calçada Real, e ainda o sol não se tinha dignado apparecer.

Em dez minutos apenas, foram-se encastellando grossas nuvens, carregadas de electricidade, ao longe, sobre as montanhas de Cintra, e trovões distantes ribombavam surdamente.

—Mau! Temos um dia estragado!

O calor começava a ser asphyxiante.