A morte é o passado e vós sois o porvir.
A morte é a quietação e o silencio; vós sois o movimento e a vida.
Sobre o vosso arraial não deve pairar a morte, porque as vossas lides são incruentas.
A ampulheta, que regula a vossa vida, deve medir o tempo; não deve descançar na eternidade.
Uma sepultura é uma coisa inutil entre vós.
Amaes os salgueiraes do Mondego, porque n'elles remurmura o ecco dos vossos cantares.
Amaes a onda limpida do vosso Pactolo, porque ella deslisa sobre a areia doirada do álveo.
A sepultura é muda a todas as interrogações.
O unico movimento que a sepultura permitte é o ondular das hervagens que a cobrem.
Onde havia uma intelligencia e um coração, ha agora um comoro e uma cruz.