E tristes, muito tristes os lisboetas. Mas que diabo de teima a do Paulus em dizer ainda hoje que

Les portugais

Sont toujours gais!

Uma patranha de marca! Nós, os portuguezes, somos tão chorões, que até os reis não escapam ao chôro. Houve um que lagrimejou a ponto de ser metamorphoseado em chafariz, o qual ainda hoje conserva a denominação de Chafariz d'Elrei. Patranha por patranha. E ainda hoje conservamos tambem este proloquio lamuriante: A lagrima é livre. A alma portugueza é uma cebola que nos sobe aos olhos: por isso dizemos constantemente que os olhos são o espelho da alma.

Sua alteza achou-nos muito parecidos com os macacos. N'este ponto não podêmos deixar de fazer honra á orientação transformista de sua alteza. Chegamos a estar convencidos de que foi Portugal que suscitou a Darwin a concepção scientifica da sua theoria; o sabio inglez, tendo conhecido em Lamarck a lei da hereditariedade e a lei do desenvolvimento dos orgãos, pôde, graças ao estudo anthropologico que fizera dos portuguezes, ir além de Lamarck. Foi isto, por força.

E a lingua portugueza?! Como sua alteza a achou desafinada e charra! Tem graça, porque nós pagamos-lhe na mesma moeda, quanto a lingua. Não ha portuguez nenhum que não esteja de accôrdo com a opinião de Carlos V,—de que o allemão é uma lingua para se fallar aos cavallos. Mas para chamar desafinada á lingua portugueza já é preciso ter dureza de ouvido! E não dizia o pateta do Filinto:

Fallemos portuguez brando e sonoro!

Sua alteza estava com muita curiosidade de vêr a rainha D. Maria II, porque era sua proxima parenta e uma princeza reinante, cujo destino havia sido dos mais agitados.

Quem o archiduque encontrou primeiro a esperal-o no palacio das Necessidades foi o marechal duque de Saldanha, a quem chama o genio universal, o deus ex-machina, o sol do nosso paiz n'aquelle tempo. N'isto acerta. Triumphante o movimento politico da regeneração, Saldanha, coberto do prestigio que lhe haviam dado as campanhas da liberdade, succedêra no poder ao conde de Thomar. Quando o archiduque Maximiliano chegou a Lisboa, o ministerio era composto por Saldanha, presidencia e guerra; Rodrigo, reino; Seabra, justiça; Garrett, estrangeiros; Fontes, fazenda e obras publicas; Athouguia, marinha.

A Garrett faz o archiduque uma referencia especial, sem o nomear, dizendo: «Entre os ministros mencionarei o dos negocios estrangeiros que, segundo me disseram, é o mais celebre escriptor de Portugal. Suspeito-o mais escriptor que estadista: de resto, falla perfeitamente o francez.»