De passagem, um traço da vida conjugal da condessa de Castiglione. O marido não pudera nunca reconcilial-a com a sogra, a marqueza de Castiglione. Um dia em que ambos sahiram de trem, o conde dera secretamente ordem ao cocheiro para conduzil-os a casa da marqueza. A condessa percebeu a intenção reservada do marido e, descalçando furtivamente os sapatos, no momento de passarem uma das pontes do Sena, atirou-os ao charco.

E, voltando-se para o marido:

—Quero crêr que me não forçarás agora a fazer visitas descalça!

Mas, sempre que os nervos da mulher estavam tranquillos, a imperatriz reapparecia com todos os seus instinctos de interesse dynastico, porque a imperatriz adorava o filho.

Era ella que recolhia e colleccionava cuidadosamente, todos os dias, os papeis politicos do imperador.

—Eu sou, dizia a imperatriz referindo-se á correspondencia das Tulherias, como um rato que apanha as migalhas do imperador.

Toda a correspondencia pôde ser salva, e a imperatriz tem-n'a conservado religiosamente.

Deve ser interessantissima, mas, nas mãos da imperatriz, é uma arma partida. Não é preciso que a doblez dos caracteres se affirme por documentos: essa prova é inutil. Todos sabemos como em todos os tempos e lugares o caracter humano varía com a altura do sol. Mas no occaso da sua grandeza, a imperatriz ainda conseguia encontrar algumas dedicações inabalaveis. Citarei desde já dois nomes: o duque de Bassano, e mr. Rouher.

A imperatriz teve, na politica imperial, uma acção energica. O general Trochu attribue-lhe a desgraçada operação franco-hespanhola do Mexico, que desacreditou o imperio, e a desastrosa guerra de 1870, diante da qual Napoleão III recuava instinctivamente.

Mas, sob o ponto de vista politico, Trochu, apesar de ter procurado defender-se no tribunal do Sena, e n'um grosso volume, que tenho presente, de todas as accusações que o Figaro fizera ao governador de Paris, Trochu, repito, é um pouco suspeito.