Depois, durante a laboriosa gestação da independencia, o Mexico fôra governado por vice-reis, seguindo-se-lhe o ephemero imperio do general Iturbide, de modo que a formula monarchica encontrava, em seu favor, uns restos de tradição.

Á frente do partido que desejava o restabelecimento da monarchia estava Gutierrez de Estrada membro de uma familia illustre, o qual, sendo ministro dos negocios estrangeiros, em 1840, tinha escripto uma carta ao presidente da republica, Bustamante, propondo-lhe, como solução ás crises incessantes que desolavam a patria, a constituição de um governo monarchico.

Esta audacia acarretára-lhe a proscripção.

Gutierrez de Estrada viera refugiar-se na Europa, cada vez mais exaltado na sua propaganda.

Em 1854 subira á presidencia da republica o general Sant'Anna, que commungava as mesmas idéas politicas de Gutierrez, e que lhe dera plenos poderes para tratar, nas côrtes de Paris, Londres, Vienna e Madrid, a questão do restabelecimento da monarchia no Mexico.

Gutierrez de Estrada dirigiu-se então ao duque de Montpensier, que declinou o offerecimento.

O presidente Miramon, successor de Zuloaga em 1859, confirmou o mandato dado por Sant'Anna a Gutierrez, e foi n'este momento que Napoleão III, informado do que se passava, chamou a attenção de Gutierrez para o archiduque Maximiliano.

Gutierrez acceitou com enthusiasmo esta indicação do imperador, tanto mais que uma antiga convenção do Mexico, conhecida pela designação de Iguala, e datada de maio de 1821, estabelecia que se adoptasse o principio da monarchia constitucional, e que se offerecesse a corôa aos infantes de Hespanha, irmãos do rei Fernando VII, e, no caso d'estes recusarem, ao archiduque Carlos d'Austria.

Portanto, apresentar a candidatura de Maximiliano era, de algum modo, fazer reviver uma tradição antiga.

Aqui estão, succintamente historiados, os fundamentos da intervenção da França na questão do Mexico.