E nunca inda até agora
Me acorda de sentir damnos... etc.
«Quanto ao governo de S. Jorge, capitania-mór das armadas da India e commenda de Villa Cova, é tudo isso um equivoco do auctor da Bibliotheca Lusitana, com o qual se bandeou a boa fé de escriptores de grande porte. O Bernardim Ribeiro, governador de S. Jorge da Mina, assistiu em 1526 ao cêrco de Mazagão, d'onde sahiu abrasado d'uma explosão de polvora. (Veja a Chronica de D. Sebastião, por D. Manuel de Menezes).»
Innocencio Francisco da Silva, no tomo VIII do Diccionario Bibliographico, pag. 379, não acceitára como definitivos os reparos de Camillo Castello Branco e appellára para investigações ulteriores.
No 10.º vol. das Noites de Insomnia, Camillo Castello Branco voltou ao assumpto, dizendo:
«Ulteriores investigações que fiz em cartapacios genealogicos e coevos, levaram-me da certeza á evidencia de que Bernardim Ribeiro, o poeta, não era Bernardim Ribeiro Pacheco, o commendador de Villa Cova, da ordem de Christo e capitão-mór das naus da India, casado com D. Maria de Vilhena, filha de D. Manuel de Menezes, nem ainda o outro Bernardim Ribeiro, governador de S. Jorge.»
Camillo estuda em seguida a genealogia dos tres Bernardins, que andam fundidos no auctor da Menina e Moça.
O snr. Theophilo Braga publicou em 1872 o volume dedicado, na sua Historia Litteraria de Portugal, a Bernardim Ribeiro.
Ahi, procurando reconstruir a biographia do poeta pela interpretação critica das suas obras, sustenta que Bernardim Ribeiro viera do Torrão para Lisboa em 1496, quando tinha vinte e um annos (Ecloga 2.ª), o que permitte fixar a época do seu nascimento em 1475.
Parece ao snr. Theophilo Braga que já o poeta teria tido em 1496 o primeiro amor, inspirado por D. Maria Gonçalves Coresma, que casára com um viuvo do Alemtejo, chamado Alvaro Mendes Casco.