Os grandes amores romanticos de D. Affonso VI tiveram por palco o convento de Odivellas.

Calumnia-se D. João V quando se diz que elle desacreditou Odivellas. Aquillo já vinha de traz.

D. Fernando Corrêa de Lacerda, bispo do Porto, conta que D. Affonso VI «se deu ao galanteio das religiosas, frequentando diversos mosteiros», e que «sem reparar no decôro que se devia aos lugares sagrados, fazia abrir as portas das igrejas, sendo alta noite», «succedendo muitas vezes que quando em outros conventos se levantavam os religiosos para louvar a Deus, o estava el-rei offendendo nas grades das suas igrejas.»

Umas d'estas freiras era D. Anna Angelica de Moura, conhecida em Odivellas pela alcunha galante de Flôr do Sol.

«Tomou el-rei amizade illicita com D. Anna de Moura, freira de Odivellas; fazia-lhe continuas assistencias com grande indecencia, e geral reprovação de toda a côrte. O dia em que D. Anna de Moura fazia annos, foi el-rei tourear no pateo de Odivellas: deu uma grande queda, de que esteve sangrado, fazendo-lhe D. Anna de Moura a fineza de se sangrar tambem, lhe mandou um grande presente, e quando a tornou a vêr, lhe disse que desejava fazel-a rainha de Portugal.» (Vida d'elrei D. Affonso vi, publicada por Camillo Castello Branco, e attribuida ao duque de Cadaval).

Pensa o leitor que esta dupla sangria foi uma galanteria original? Pois está enganado.

No auto do Mouro encantado, do quinhentista Antonio Prestes, vem citado o exemplo que a freira de Odivellas imitou:

... Foi como o meu,

que sou quem o arremendou

na guerra que a Pirro deu;