A infeliz princeza não tirou, porém, d'esse casamento as vantagens que se esperavam. Viveu humilhada pelas leviandades amorosas de Carlos II, preterida pelas amantes do rei, especialmente pela condessa de Castlemaine, e, guerreada pelos protestantes, chegou a ser accusada de querer envenenar o marido.

Tudo isso se sabe, e seria fastidioso recordar n'um artigo fugitivo os lances dramaticos da vida atribulada de D. Catharina de Bragança em Inglaterra.

O meu fito é outro.

Eu quero principalmente fazer notar, como curiosidade bibliographica, alguns opusculos, em prosa e verso, a que deu lugar o casamento da infanta portugueza com o rei inglez.

Principiarei por fallar de um escriptor que se desenfastiava dos seus trabalhos nobiliarchicos cultivando as musas.

Refiro-me a Antonio de Villasboas e Sampaio, que escreveu: Saudades do Tejo e de Lisboa na ausencia da Senhora Catharina, rainha da Gran-Bretanha.

Villasboas, na sua qualidade de poeta, tomou a liberdade, que n'essa qualidade lhe era permittida, de celebrar D. Catharina como um sol de belleza, uma maravilha de formosura.

Disse uma vez um notavel homem politico do nosso paiz que todas as princezas eram formosas. O poeta Villasboas justifica plenamente esta espirituosa affirmação. Ninguem dissera nunca que D. Catharina fosse uma dama formosa, nem mesmo o proprio retrato, que apenas põe em evidencia uma grande expressão de bondade. No Peveril of the Peak, de Walter Scott, a rainha, que atravessa os ultimos capitulos d'este romance, resalta com essa mesma expressão de bondade, annuveada de melancholia. Mas Antonio de Villasboas não se prendeu com estas pequenas teias de aranha, e saudou em D. Catharina de Bragança a oitava maravilha do mundo, quanto a belleza.

Oiçamol-o:

Dita será que vejam lá no Norte,