Meia hora volvida, Eduardo Valladares e Maria Luiza conversavam debruçados á janella...
IX
Estamos, outra vez, no Bom Jesus do Monte.
O leitor conspira, porém, contra o poder de ubiquidade que o romancista possue e deseja saber que maviosos dialogos suspiraram Eduardo Valladares e Maria Luiza, ao clarão saudoso das estrellas. O que disseram não o repetiram os échos da noite. Suppomos, todavia, que elle conservara a mesma timidez e que ella não se apartou da alegre tranquillidade que momentos antes revelava. Mas se assim foi, n’aquelle dialogar, apparentemente frivolo, insensivelmente se iam alliando duas almas, a julgar pela leitura das seguintes linhas.
Vamos encontrar Eduardo Valladares e Maria Luiza subindo ambos a alameda sombria da Mãe d’Agua.
—Parece-me hoje mais triste que da primeira vez que estivemos aqui! disse Maria Luiza.
—Creio que não tem v. ex.ᵃ razão para se admirar. É que hoje já vou procurando recordações por entre estas sombras deliciosas.
—Recordações? Ah! recordações da visão mysteriosa que inspirou o seu madrigal.