O pastor deu-lhe um conselho, que valia mais do que as drogas dos pharmaceuticos.[{52}]

Chegado a casa, o lavrador pegou n'uma tira de papel, escreveu n'ella algumas palavras, e foi pregal-a na porta do celleiro.

Legiões de formigas avançavam, pelo veso, em demanda das tulhas. Mas logo que avistavam a porta, e liam o lettreiro, retrocediam como que embuchadas.

No dia seguinte, a mesma coisa. O pastor tinha aconselhado um remedio excellente.

O que escreveu o lavrador no papel? Esta simples phrase:

«De hoje em deante, toda a formiga que entrar no meu celleiro ha de pagar dez réis—por cabeça.»

Ora como as formigas são essencialmente avarentas, chegavam á porta do celleiro, liam o papel, e desandavam para a toca, não sabendo ao certo se o lavrador gracejaria ou fallaria verdade.

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Um moço de fretes costumava ir confessar-se todos os annos, mas fazia a sua chorata ao prior para não ter que pagar a desarrisca. De uma vez, porque lhe parecesse que o prior se aborrecia com a choradeira, que era fingida, andou a procurar entre os seus patacos um que tinha peor cara e que por isso mesmo era mais duvidoso.[{53}]

Foi confessar-se, muito contricto, com o pataco falso na algibeira. Antes de receber Nosso Pae, pensando sempre em Deus e no pataco, dirigiu-se para a sachristia.