Rosendo sabia os versos de Pailleron por os ter lido na Revista dos dois mundos, e por os haver achado deliciosos.

Tratou de pôl-os em acção, ou antes, de pôr a sua mão de enamorado Rosendo sobre a mão branca de Ambrosia.

J'ai pris dans ma main ta main blanche...

Não faltava nada para que o scenario fosse em tudo semelhante ao da Revista dos dois mundos: a erva vecejante, a folha verde, a agua corrente, o domingo e a felicidade.

Passaros folgasãos pipillavam no arvoredo, n'uma grande bambocha de virtuoses, e á distancia, amortecido pelo intervallo dos canteiros, o ruido de um trem que passava para o Lumiar, ouvia-se.[{84}]

Rosendo, achando-se divino, divinisava Ambrosia, para se confundirem ambos n'uma grande consubstanciação amorosa.

Elle só tinha um desgosto:—que ella, em vez de uma rosa no vestido, não trouxesse nos cabellos dois ramos de pervinca... oui, de pervenche.

De repente, Ambrosia, ouvindo dar oito horas, voltou-se rapidamente para elle, e dos seus labios saiu esta phrase, terrivel como um grito de Tantalo:

—Ó Rosendo, vamos nós almoçar ao José dos Caracoes?...