Esta demora tinha desanimado cada vez mais o rei, que, de quando em quando, gritava enfurecido:

—Pois não haverá sobre a terra um homem verdadeiramente feliz?!

Certo dia um dos conselheiros do rei ia jornadeando, sempre na faina de procurar um homem feliz, por uma serra muito agreste e solitaria.

Só de longe a longe avistava algumas cabras, que andavam roendo as raizes das urzes.

—Que serra tão triste! disse o fidalgo ao arreeiro.

—Por aqui só se encontra algum pastor; ninguem mais. Lá está um acolá, no alto d'aquelle rochedo, a tocar na sua flauta.

—É verdade! Quero fallar-lhe. Vamos lá.

Era grande a distancia. Mas á medida que se aproximavam iam ouvindo os sons rusticos da avêna e vendo o pastor a bailar, muito contente, sósinho, no topo do rochedo.[{90}]

—Parece impossivel, dizia o fidalgo, que não tenha medo de cair!

Chegaram perto do rochedo, e o fidalgo gritou-lhe: