—Por que não precisava.

—Mas sempre é bom passeiar depois que se janta.

—Para passeiar, meu amigo, basta que saia alguem da familia.

Outros são de feitio opposto: amam a sociedade, a companhia, a convivencia.

Encontra a gente um ou outro, á meia noite, quando recolhe a casa.

—Que pressa tem você de se deitar? pergunta elle.

—Preciso levantar-me cedo.

—Mas durma depressa, homem!

—Durma depressa! tem graça!

—É o que lhe digo. Quer você ouvir um caso? Olhe que ainda é cedo. Uma vez estava eu em Villa Franca, em casa do Tiberio. Jogava-se o voltarete. Havia hospedes: um d'elles era o major Noronha, que tinha de ir no comboio da manhã para Santarem. O jogo enremissou-se. A dona da casa, muito constrangida,[{111}] lembrou que era melhor deixarem as remissas para outra occasião, porque o major tinha de levantar-se cedo. E vae elle, muito amavel, respondeu: «Não tem duvida, minha senhora, porque eu estou habituado a dormir depressa.» Faça você o mesmo, e dê dois dedos de cavaco.