Foi ainda Rossel que lera a sentença de morte a Giraud e que escrevera estas palavras ao cidadão Laperche:
«É prohibido interromper o fogo durante o combate, ainda que o inimigo levante a coronha para o ar ou arvóre a bandeira parlamentar.
«É prohibido, sob pena de morte, continuar o fogo depois de se ter dado ordem para o suspender, etc.»
«Estas lembranças—pondera a France—bastam para dizer o que elle foi durante o seu commando, para dar uma idéa do que teria sido na victoria.»
E do que devia de ser no carcere e na morte, esqueceu-se de ponderar a France. Uma vez chefe, Rossel não podia dar exemplo de cobardia, assim como, uma vez vencido, não o deu tambem. Não trepidou diante da morte, e se Giraud, que fôra julgado traidor aos seus, não teve a coragem de agradecer a justiça que lhe fizeram, Luiz Rossel enviou ao seu juiz Merlin, por intermedio do padre Passa, estas palavras:
—Dizei aos meus juizes que cumpriram o seu dever, condemnando-me.
Não satisfeito com isto, encarregou o seu confessor de fazer calmar os odios que por ventura a sua morte levantasse entre os sectarios da idéa que o sacrificára a elle.
Eu não defendo Rossel nem fulmino a republica pelo ter mandado fuzilar na esplanada de Satory. Eu condemno a republica que manda matar Rossel e prender Rochefort.{187}
Entre Rochefort e Rossel a desproporção é immensa. Rochefort é um aventureiro, que mercadeja com a sua penna e com o seu espirito; Rossel era um homem cheio de coragem e intrepidez, sempre util á causa da idéa que defendesse.
Rochefort nogociava; Rossel combatia. Ambos desertaram da republica para a communa, eram igualmente criminosos e todavia Rochefort vive e Rossel está morto.