Vencidas estas disciplinas, estudei inglez e geographia.

Comecei a gostar muito dos poetas inglezes, e a interessar-me pela poesia.

Um dia, um rapaz meu condiscipulo emprestou-me a Menina e moça de Bernadim Ribeiro. Esse livro produziu-me uma impressão suavissima; pedi mais livros, e li-os todos.{194}

Quando meu pai fez annos, escrevi-lhe umas quadras que conservo ainda; eram simplesmente desastradas.

Todavia continuei a ler, e, quando acabei os preparatorios, estava doudamente namorado pela litteratura.

Os negocios de meu pai corriam mal, e tive de renunciar a idéa d'um curso superior. Meu pai propoz-me o commercio, e eu aceitei o alvitre. A esse tempo tinha esboçado um poemeto no genero archaico. Quando entrei para um escriptorio commercial, estava ainda o poemeto incompleto. O meu patrão era boçal. A sua presença exercia no meu animo uma influencia tyrannica.

Quando elle voltava costas, ia eu escrevendo no poemeto. Um dia surprehendeu-me nas minhas lucubrações poeticas, quiz ver o meu autographo, desatou a rir alarvemente, e despediu-me. Entrei em casa triste, concentrado, apprehensivel.

Tinha então dezoito annos.

A criada velha havia-me perguntado muitas vezes se eu já tinha sido convidado para a maçonaria.

Certo dia li n'uma folha um artigo que desvendava a cegueira popular sobre a maçonaria.