Todas as baterias da nossa curiosidade se assestaram contra um alvo unico: descobrir a historia do supposto casamento da Christina do Muxagata com o brazileiro Araujo.
Felizmente para nós, o bloqueio não durou muito. Foi a propria praça que se rendeu voluntariamente.
Emquanto D. Christina fazia a sua toilette para o jantar, o brazileiro contava-me no terraço do hotel, com toda a sua ingenuidade bondosa, a historia do seu casamento—revelação a que eu o conduzi mais ou menos habilmente.
Tinha vindo a Portugal havia seis annos para matar saudades da patria e visitar os parentes que viviam em Amares.
Aproveitára a occasião, e fizera algumas excursões tanto no norte do paiz como na Extremadura.{154}
Foi por essa occasião que encontrára D. Christina no Bom Jesus do Monte. Tinha ella enviuvado pela segunda vez recentemente e achava-se entregue a um profundo abatimento moral...
—Então a esposa de v. ex.ª já tinha casado duas vezes? perguntei eu.
—Já. A primeira com o morgado de Muxagata, que pela má cabeça d'elle déra cabo de tudo.
—E a segunda?
—A segunda com outro fidalgo do Marco de Canavezes, que tambem não tinha mais juizo. O amigo sabe decerto qual era a vida gastadora dos antigos morgados.