Uma ironia de melro!
Á sombra da grande arvore, que tinham escolhido, Fanny e Edmundo, enleiados pela cintura, bebiam a pequenos goles de liberdade a sua primeira taça de amor e, quando erguiam a taça aos labios, estalava-lhes na bocca um beijo demorado.
As horas passaram rapidamente, a velha criada já não tinha mais hervas que reconhecer, mais arvores que observar, e os proprios melros estavam aborrecidos de troçal-a.
Era preciso partir, o sol declinava, a tarde fugia. Mais um gole colhido nos labios, mais um beijo que se arrastava n'uma extensa melodia amorosa.
Finalmente, Fanny pôz o pé no estribo da carruagem e o groom, rosado e louro, com um olhar altivo, triumphante, abriu-lhe, de cabeça erguida, a portinhola do coupé e, quando a fechou, antes de subir para a almofada, pousou o dedo pollegar da mão direita sobre a ponta do nariz e espalmou a mão no ar, agitando os dedos.{40}
Era o Amor, disfarçado em groom, que celebrava a sua victoria como um gaiato de collegio.
—C'est gentil! exclamou o Leotte.
—Bravo! mavioso Gonçallinho! conclamaram sete vozes.
E o Vasconcellos, logo reposto nas suas funcções austeras de dirigente, advertiu a assembléa de que onze horas e cinco minutos eram tempo muito conveniente para que em Cintra cada um pensasse em dormir.
—Onde estará o groom da tua ballada, ó Gonçallinho? perguntou o Leotte.