Á medida que os rapazes foram crescendo, mais os dois velhinhos frascarios se fecharam em maior discreção, de modo que das suas aventuras serodias não pudesse chegar noticia aos netos.
Pela primavera, quando as arvores rebentavam e os campos erveciam, sentiam-se renascer, vibrar; e sempre que o pé lhes escapava para a folia, cuidadosamente afivelavam a mascara, para não serem apanhados com a bocca na botija.
Os rapazes estavam uns homensinhos, de cara penugenta, e os dois avós concertaram entre si ir-lhes dando algum dinheiro, para que não guardassem toda a mocidade para a velhice.
—Como nós... dizia um.
—Eh! eh! respondia, rindo, o outro.
E ao cabo de alguns momentos de meditação:{57}
—Isto tem que ser por força... exclamava um.
—Isto, o que?
—Dar com a cabeça pelas paredes, e fazer tolices. Portanto, quanto mais cedo a tempestade passar, melhor. Eu bem o sei... Comecei muito tarde, é o que foi...
—E eu!... ponderava o outro.