E ouvindo rodar uma das carruagens, que devia ser aquella que a mysteriosa dama havia tomado, entra n'outra carruagem, ordena ao cocheiro que largue sem perda de vista aquelle trem que acabava de partir.
O cocheiro assim fez, guiado pelas lanternas da carruagem que o precedia. De vez em quando Jacinto Procopio, pondo a cabeça fóra da portinhola, espreitava; e, como visse as lanternas a brilharem como dois pharoes no trem da frente, tranquillisava-se.
Haviam chegado ao Terreiro do Paço, e o cocheiro da primeira carruagem parou de repente, fazendo signal ao do segundo trem para que passasse adeante.
Jacinto Procopio disse com os seus botões:
—É ella que não quer ser seguida. Pois tenha paciencia, porque eu não estou resolvido a fazer-lhe a vontade.
E falando para o cocheiro:{86}
—Não faças caso. Deixa-te ficar.
Houve um momento de espera. O primeiro trem continuou rodando, e o segundo tambem. Seguiram um atraz do outro ao longo do Aterro, subiram a rampa de Santos, entraram na rua de S. João da Matta.
Jacinto Procopio ia jubiloso: a caça não conseguira fugir-lhe.
E depois, ficando a saber onde a dama morava, diria a verdade aos outros ou não diria. Havia ainda de pensar n'isso. Não fosse tão tolo que, depois de tanto trabalho, désse lenha para se queimar.