O Leotte, despedindo-se:
—Os nossos saraus litterarios principiam depois das oito horas da noite, na sala de visitas.
—Até logo, disse a mulher do brazileiro saindo da sala de jantar, seguida pelo marido.
Saímos tambem, accendemos as nossas cigarrilhas e fomos dar um passeio até á Praça para fazer o chilo, como sempre dizia o Maldonado.
É claro que o assumpto do passeio, insensivelmente prolongado pela estrada de Villa Estephania, se circumscreveu ao brazileiro e á sua mulher.
Todos eram de opinião, quanto á mulher, que ella representava umas ruinas muito menos antigas que as do convento do Carmo, mas não menos pittorescas. O Leotte—já era de esperar—exagerava{116} a belleza da brazileira, como todos lhe chamavamos, e acrescentava que, quem quer que ella fosse, vinha da escóla da experiencia, da escóla pratica do mundo. Era abelha-mestra, concluia elle.
Todas as phrases que ella disséra suscitavam-nos commentarios mais ou menos maliciosos.
Notava-se a facilidade com que acceitára o nosso convite, não sem disfarçar habilmente o seu espirito mundano com a allegação de que o marido precisava distrair-se. O seu horror pela extensão das noites de Cintra revelava que ella, todavia, amava mais o mundo que o marido.
Eu insisti na minha preoccupação de a ter já visto algures. Alguns dos meus amigos, o Vasconcellos por exemplo, riram-se d'isto.
—É que ella tem a phisionomia tipica de todas as mundanas quarentonas que foram parar ás mãos de brazileiros. O que tu conheces é o genero, não é a pessoa.