O Leotte estava visivelmente picado com o triumpho que o Saavedra obtivera na presença d'essa mulher, cuja toilette denunciava um certo habito de existencia mundana, que elle queria explorar.
Foi pois elle mesmo que se offereceu para contar um episodio da sua viagem a Thomar.
—Tambem já vi Thomar, observou o brazileiro; é bonito, mas não chega aos calcanhares do Minho!
—Pois isto que vou contar, acrescentou o Leotte, aconteceu no principio de julho, ha tres annos.
—Ha seis é que eu lá estive, ponderou o brazileiro.
—Vamos a ouvir a historia, disse madame Araujo.
—Sim, filha, obedeceu o brazileiro, submisso como sempre.{130}
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XIV
A festa dos taboleiros tinha reunido em Thomar muita gente de fóra. A companhia dos caminhos de ferro estabelecêra comboios directos a preços reduzidos. A pittoresca cidadesinha do Nabão, com o seu bello convento de Christo no topo, tinha um movimento extraordinario, anormal, que a vitalisava desde o castello dos templarios até á graciosa planicie da Varzea grande, habitualmente só frequentada por alguns soldados de infantaria 11.