—Não! não! Não vêdes a morte?... Não quero morrer... E Rosina?... Meu filho!... Estou aqui sósinho... Pietro tocava a sua harpa.. A muda chorava muito... Em Coimbra, n'aquella tarde... Sim, ella era innocente e pura... Pietro parecia triste de a vêr chorar... Que é?... São os francezes?... Que venham... Eu vingo a memoria de minha irmã, mas não quero morrer porque tenho um filho...

—Um filho! exclamaram os dois soldados que piedosamente o soccorriam.

O ferido continuou a delirar:

—Tudo perdeu por mim... Como era grande o seu amor!... Pobresinha... Para traz, francez; quero ir vel-a. Estás ahi? Sempre ao pé de mim! Sim... bem me lembro... o ceguinho das Ardennas e o seu cão... Não ouviste chorar uma creança? É meu filho...

—O nosso tenente treslê! exclamou um dos soldados.

Graça Strech havia, pelos seus actos de valor, chegado áquelle posto, sendo condecorado com a Torre-Espada, com a cruz de S. Fernando d'Hespanha, e ao depois com a medalha da guerra peninsular.

—Pena é se morre, acrescentou outro soldado,[{135}] que não ha mais destemido militar que o nosso tenente!

—Isso não! Animava-se com a polvora, que tambem não tem de haver no mundo militar mais triste...

—E mais desgraçado! Não te lembras que já a irmã era muda?

—Muda, sim.