A criança tremia-lhe nos braços como um passarinho que se sente comprimido, e procurava furtar as faces aos beijos ardentes do desconhecido.

—Pietro, filha, onde está Pietro?

A pequenita, ouvindo pronunciar este nome, olhou attenta no guitarrista, e respondeu com os olhos subitamente marejados de lagrimas, dando uma suave expressão de magua ao dialecto napolitano;

—Morreu! Elle morreu. Tu é que talvez sejas meu pae, porque dizia o avô...

—Que dizia o avô, filha? perguntou anciosamente Graça Strech.

—Que meu pae tinha dado a minha mãe, mia madre poverella, um presente para mim, e que se elle não tivesse morrido, como nós julgavamos, tu me conhecerias por esse presente. Se sabes o que é, então[{173}] és meu pae; dá-me muitos beijos que eu consinto.

É o annel, filha! Ah! é o annel que eu dei a tua mãe.

Isso mesmo! disse a criança sorrindo d'alegria. Elle aqui está...

E tirou do seio uma saquinha, pendente do pescoço, onde guardava o annel.

Trago-o aqui. Sou ainda muito pequinina, padre mio, para o trazer no dedo.