—Este diabo não fazia senão beber! acrescentou outro.
—Tambem me consta que fazia outra coisa, replicou Graça Strech.
—O que era?
—Enterrava os nossos mortos com mais piedade do que tu.
—Prégas hoje de cadeira!
—Lembro-me de que elle, pelas ultimas palavras que lhe ouvi, era tão francez como eu sou portuguez...
—Era? perguntou ingenuamente um dos soldados.
—E a mim, concluiu Graça Strech, pesa-me sempre a morte d'um bom soldado.
Quando a carroça rodou lugubremente, caminho da valla commum, onde portuguezes e francezes iam dormir sem odios nem malquerenças o somno eterno, Graça Strech acercou-se de Rosina, que parecia duvidar ainda do que tinha ouvido, e segredou:
—Devo á memoria de Bénard uma felicidade que não merecia a Deus. De hoje em deante não haverá entre nós barreira que possa separar-nos. As nossas almas serão uma; os nossos pensamentos um só...