«A rainha Mercedes morreu. Que Deus te conceda no matrimonio a felicidade que me negou. Nas tuas proximas horas de felicidade, recorda-te das horas de martyrio e de dôr que estou soffrendo.
Affonso.»
Dôr profunda, que uma mulher, tambem rainha, e tambem viuva, comprehendia chorando. A rainha Victoria enviava ao rei de Hespanha estas eloquentes palavras:
«O meu coração está profundamente ferido pela vossa desdita, meu querido irmão. Que espantosa desgraça quiz Deus enviar-vos! Que Elle vos dê a força necessaria para supportar tão terrivel perda.»{121}
A BAZILICA
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XVI
A BAZILICA
N'uma deliciosa novella de Octavio Feuillet, que toda a gente conhece, Le roman d'un jeunne homme pauvre, avulta, entre outras, uma nobre figura de velha fidalga, a snr.ª Porhoet, que, atravez dos gelos dos seus oitenta annos, entreve os caprichos architectonicos d'uma sonhada cathedral, em cuja edificação consumirá os fabulosos haveres a que se habilita por um antigo pleito.
Ha uma doce poesia religiosa n'esta veneranda figura de mulher, em cujos sonhos se lhe entremostra a esplendida cathedral,{124} arremessando para o azul os seus corucheos phantasticos, as suas agulhas floreadas, que se enlabyrintham n'uma aerea floresta de marmore.