Quando Camillo era vivo, sempre que eu vim a Santo Thyrso não deixei nunca de visitar o grande romancista na sua melancolica Thebaida.

Agora que elle é morto e repousa longe, no cemiterio da Lapa, fui em peregrinação devota contemplar o tumulo em que viveu e agonisou: a casa solitaria de Seide, onde cada pedra parece ser um epitaphio que chora resignadamente por elle no silencio e na mudez de uma aldea minhôta.

Esta casa, a que o proprio Camillo chamou «o albergue arruinado de S. Miguel de Seide», é uma reliquia historica, um monumento nacional, como a casa de Shakspeare em Stratford-sur-Avon ou como a casa de Goethe em Francfort.

É ou deve ser.[{6}]

Para mim tem o que quer que seja de venerando, como um castello desmantelado, onde a nossa gente tivesse ganho outr'ora cem victorias gloriosas, de que eu proprio houvesse sido testemunha...

Sahi de Santo Thyrso ao amanhecer e almocei em Landim.

Devo ao sr. Adriano Trêpa, meu presado amigo, a honra de acompanhar-me.

Vi de passagem , hoje propriedade da familia Leal e Sousa.

Um filho do dono da casa, o sr. Manuel Vicente Leal, que ia a sahir n'esse momento, retrocedeu de bom grado para nos servir amavelmente de cicerone.

Eu, quando viajo, não gosto de fazer prevenções, nem aos outros, nem a mim proprio. Sou o viajante mais despreoccupado que pode haver; entrego-me inteiramente ao acaso, e sempre me tenho dado bem com isso.