Os jornaes propalavam boatos a respeito de nomeações para a camara dos pares. O meu nome nunca foi lembrado pelos jornaes. A politica interveio n'este negocio, como em todos: disse coisas falsissimas. Mas a minha pretensão triumphou, graças á protecção do rei.

Quando o despacho appareceu, e lh'o fui agradecer, el-rei dignou-se abraçar-me dizendo:

—Tenho hoje um dia de satisfação. Agora descance um pouco. Era justo. Era justo.

Eu senti lagrimas nos olhos; mas el-rei tambem não tinha os seus enxutos.

Desde então mantive com el-rei as mais gratas relações, não direi de amizade, mas de franqueza.

Entre os seus papeis ha de haver uma longa carta minha sobre assumptos que não eram pessoaes.

Ainda é cedo, porém, para fazer a historia d'essa carta. Ha quem conheça a carta, e possa contar a historia um dia, querendo.

A ultima vez que me demorei conversando com el-rei foi para lhe fazer o pedido de alguns brindes da familia real para um bazar de Setubal. El rei disse-me logo que pela sua parte podia considerar como satisfeito o meu pedido, mas que a rainha estava ainda invisivel, e que o principe real estava estudando as suas lições, motivo por que transmittiria á rainha e ao principe aquella solicitação.

N'essa mesma tarde parti para Setubal, e ao caír{16} da noite recebia eu n'aquella cidade um telegramma do sr. D. Pedro Arcos participando-me que tanto a rainha como o principe mandariam brindes para o bazar.