—O Antonio Augusto?!
—Sim. O Antonio Augusto de Aguiar, elle mesmo...
E a pessoa que falava ia correndo com os olhos avidamente o jornal, procurando os pormenores, lendo e dizendo:
—De repente... de uma angina pectoris... ainda ante-hontem saiu... bem disposto... tinha jantado no restaurant Rosa Araujo com o Luciano Cordeiro e com outro.
Dizer-lhes quão pungente foi a impressão d'esse momento de tanta surpresa, é-me hoje impossivel. Ficámos fulminados, assombrados, como se Aguiar acabasse de morrer á nossa vista, tão rapidamente como os jornaes o referiam.
Então cada um de nós começou a lembrar-se da ultima vez que lhe falára, da boa disposição em que elle estava, do que dissera, do que contára. Havia apenas quinze dias que o ultimo banhista chegado á praia o tinha visto, e parecia-nos fabuloso que fosse possivel aniquilar um homem de valor em quinze dias. Todavia os jornaes que estavamos lendo eram d'aquelle mesmo dia, segunda feira, e accentuavam que a doença de Aguiar fôra rapidissima, apenas de duas ou tres horas, na madrugada de sabbado para domingo.
Dentro de um momento espalhou-se nas tres salas do Club a noticia da morte de Aguiar. Os jornaes passavam de mão em mão, qualquer novo pormenor era lido em voz alta, e breves commentarios, phrases soltas, resumiam, no primeiro momento, a impressão geral:
—Um homem serio...{102}
—Um homem de talento...
—Um homem de saber...