PINTO GALLO—Bem sei. Mas...

D. ALEXANDRE (continuando)—Não é esse o objecto da minha estada aqui. Queria fazer-te uma surpresa, mas confesso que, desejando surprehender, fiquei devéras surprehendido com o quadro que a meus olhos se apresentou.

PINTO GALLO (admirado)—Um quadro!... Qual quadro?!...

D. ALEXANDRE—Pinto Gallo, sou teu amigo. Não gosto, portanto, de que alguem se ufane de entrar aqui para fins indignos.

PINTO GALLO—Não sei onde quer chegar!

D. ALEXANDRE—Quero chegar a tua mulher!

PINTO GALLO—Mas que fez ella para o D. Alexandre lhe querer chegar?

D. ALEXANDRE—Pretendia trahir-te no momento em que eu, encontrando aquella porta aberta, pedia licença para entrar.

PINTO GALLO—E elle?

D. ALEXANDRE—Logo que entrei, sahio... Não sei se para a rua, ou se foi occultar-se nalgum esconderijo, esperando a minha retirada.