Era o covil de um onagro: a fera deu um gemido, e deixando as suas crias, estendeu-se no chão, e abaixou a cabeça como quem supplicava.
"A ella!"—gritou Argimiro; mas gritou voltando a cara.
A matilha saltou no pobre animal; que soltou outro gemido, e cahiu todo ensanguentado.
Uma voz soou então nos ouvidos do conde, e dizia:—"Orphãos ficaram os cachorrinhos do onagro: mas pelo onagro tu ficarás deshonrado."
"Quem ousa aqui falar agouros?"—gritou o rico-homem, olhando iroso para os monteiros. Todos guardavam silencio: mas todos estavam pallidos.
Argimiro pensou um momento: depois saindo da cova, murmurou:—"Vá com mil Satanases!"
E com alegres toques de buzina e latidos da matilha fez conduzir ao castello a prêa que tinha preado.[1]
E tomando o seu girifalte prima em punho, ordenou aos monteiros fossem dizer aos nobres caçadores, que dentro de duas horas voltassem, porque achariam em seu paço comida bem aparelhada.
Depois, seguido dos falcoeiros, começou a encaminhar-se para o solar, lançando nebris e falcões, e ajuntando caça de volateria, que a havia por aquelles montes mui basta.
4