E no meio do terreiro surgia o que quer que era negro e que não se assemelhava a nenhuma obra da natureza, a nenhuma obra das mãos do homem feita para o uso da vida.
Approximei-me. Era o patibulo.
Um vulto humano pendia do alto delle e volteiava para um e outro lado á mercê da brisa da noite.
E tinha as faces disformes e os olhos espantados, e da bôca meia aberta gotejava-lhe a espaços o sangue.
Eu estava com os olhos cravados nelle, e não os podia despregar do homem do patibulo.
E involuntariamente cahi de joelhos: as preces pelo morto íam-me a romper dos labios. Sentia ardente a fronte e batia-me o pulso rapido e com força.
Á primeira palavra de oração que proferi, um estremeção agitou o cadaver do justiçado.
E sem mecher os beiços murmurou sons inarticulados: depois proferiu algumas palavras: a sua voz era a de um ventriloquo.
Cala-te!—disse o cadaver.—A eternidade é já minha. Deus riscou-me do livro da vida: maldicto seja o seu nome!
Fartei-me de crimes na terra: por isso fui condemnado.