Toma, pois, em tuas mãos a vara do magistrado, e assenta-te uma vez mais no teu throno, amassado com sangue e pó.
Vem assentar-te, e julga-nos, a nós, que tu maldizes, e aos tribunos, aos instigadores de tumultos, que cobres de amor e de bençãos.
Porque isto diz o Senhor Deus: se a plebe julgar com justiça, a plebe ainda será salva.
Desça o terror da tua vingança sobre o coração do que te houver offendido; volvam-se no pó as frontes onde tu achares estampado o ferrete do crime.
Recorre as acções da nossa vida, recorre as obras passadas das vidas dos teus tribunos, e por preço do perdão de Deus, julga-nos com justiça.
Quando tu jazias na servidão, e os grilhões, encarnando-se-te nos pés e nos pulsos, te roçavam pelos ossos, peleijavamos nós por te salvar; derramavamos o nosso sangue por ti.
Por ti viamos o irmão e o amigo morder o pó dos campos de batalha, e calavamos; sentiamo-nos descahir de fome, e não soltavamos um queixume.
Porque guardavamos os ais para o silencio das trevas. Soldados da patria, ousariamos acaso queixar-nos diante da luz do sol?
E elles, que faziam, emquanto as nossas noites eram veladas debaixo de um céu de ferro e de fogo, emquanto os nossos dias se consumiam entre o sibilar dos pelouros?
Elles? Nos lupanares e tabernas de paizes extranhos, folgavam nos banquetes da embriaguez; reclinavam-se no leito da prostituição.