XIII
Os soldados que arrastavam o Justo ao Golgotha, quando o povo de
Jerusalém pedia o sangue innocente, poseram sobre a cabeça do Filho do
Homem a inscripção—Este é Jesus rei dos Judeus.
Porque o povo não sabe commetter um crime, sem, afora o crime, blasphemar e escarnecer da virtude.
Assim os tribunos da plebe, depois de rasgarem o pacto social, disseram por irrisão:—Reuna-se o conselho dos anciãos, dos sabios e dos prudentes, e façam-se leis para o regimento da republica.
Como se não houvesse ahi lei; como se os eleitos do povo não tivessem sido expulsos pela relé e separados uns dos outros.
Então os malfeitores rodeiaram a urna onde d'antes os cidadãos podiam livres lançar o voto da sua consciencia.
E todos os bons se afastaram dessa urna; porque a mão do crime a tinha collocado no templo, e á roda della sómente sussurravam ameaças de morte.
E por isso os nomes que d'alli sairam foram nomes opprobriosos ou desconhecidos, e como extranhos no meio de nós.
Um erro trouxe outro erro, e o punhal passou da praça para o templo, e houve ahi mysterios das trevas, mysterios de perversidade.
E homens imberbes, ignorantes e ignobeis ir-se-hão assentar no conselho dos legisladores, no logar destinado para os velhos, para os sabios e para os homens virtuosos.