O que ainda a fazia passar por uma bella mulher era o corpo, admiravelmente bem feito, esbelto como poucos, d'espaduas e braços soberbos.
Fallava com vivacidade e um certo espirito a Antonino, que lhe respondia com phrases curtas, d'uma concisão impossivel d'exceder.
Discorrendo sobre Laura, a amante de Pozzoli absteve-se prudentemente de lhe apontar o mais insignificante defeito.
—Formosissima mulher! disse ella, mas sobretudo admiravel artista. Nasceu para cantar, mas se a voz lhe faltasse nem por isso deixaria de brilhar, porque á rara distincção de maneiras junta os mais invejaveis predicados de coração.
E continuou a elogiar a cantora, não perdendo occasião para, disfarçadamente, dirigir tambem elogios ao visconde.
Terminada a ceia, a Elvira gorda tomou o braço d'Antonino, para lhe fazer as honras da casa.
Mostrou-lhe a estufa, a galeria dos quadros, onde, entre algumas telas de mestres, abundavam as copias mediocres, que Pozzoli fazia passar por originaes authenticos.{124}
Fez parar o visconde deante d'uma estatua de Diana, para a qual pousara, tendo apenas á cinta, como se via no marmore, uma simples pelle de panthera.
E tentou córar aos cumprimentos forçados d'Antonino, que declarou admiraveis as formas.
—Quer vir á sala do jogo? Gosta do bacura? perguntou ella.