A baroneza era ainda parenta, em grau affastado, da menina por quem o conde se apaixonára antes de casar com a mãe d'Antonino, e parecia-se até, um pouco, com a infeliz a quem o desgosto matára.
Essa circumstancia atrahira o conde, contra o seu habito, para a esphera d'acção mundana da joven baroneza, elle que tanto amava a vida retirada, onde podesse entregar-se completamente ás suas melancholicas recordações.{188}
O barão de Pontual era um insignificante.
Sendo o primeiro admirador e adorador da esposa, ella facilmente o conduzia por todos os caminhos, bons ou maus, por onde lhe aprouvesse caminhar.
Adelia, que assim se chamava a baroneza, declarava ter alma d'artista, o que é uma percebivel ambição, quando não seja pretenciosa.
Ora, para completo esclarecimento do leitor, devemos dizer que á baroneza faltava simplicidade e sinceridade.
Cultivava simultaneamente, segundo a sua propria phrase, as lettras, a pintura e a musica.
A sua especialidade em litteratura era o genero epistolar, á semelhança da sr.ª de Sévigné, sua compatriota.
Os correspondentes previligiados da baroneza, como no passado os da marqueza, colleccionavam as cartas e os bilhetes, em que havia tres estylos diversos: o serio, o sentimental e o jocoso.
Em pintura orvalhava as suas aguarellas, e dava vida ás paysagens.