Pelas oito horas da noite, nas socegadas ruas de Saint-Malo havia um desusado rodar de carruagens.

Apesar da noite ser de luar, o caes fôra illuminado a gaz até á porta do Casino, onde devia realisar-se o espectaculo, logo que anoitecera.

Um pouco antes das nove horas, Laura entrou no salão do Casino pelo braço do conde de Bizeux.

A entrada da viscondessa produziu sensação.

Estava adoravelmente formosa.

Um magnifico colar de saphyras e diamantes fazia-lhe sobresahir a rosada epiderme do collo.

Nos braços, d'uma belleza esculptural, trazia pulseiras semelhantes ao collar.

O louro veneziano dos seus sedosos cabellos sustentava uma borboleta, collocada ao alto, cujo corpo era formado por uma enorme saphira, e cujas azas, salpicadas de diamantes, scintillavam com extraordinario brilho.

Laços de finissima renda, fixos por colchetes de saphyra, alteavam-lhe os microscopicos sapatos de velludo azul.

O visconde de Bizeux seguia o pae e a esposa,{229} dando o braço á irmã, que vestia uma toilette simples, de seda preta, sem enfeites.