[XX
Discordia conjugal]
Laura e Antonino subiram para a carruagem, que os devia conduzir a casa.
Iam tristes.{240}
Olhavam-se silenciosamente, encostados aos cantos do trem.
O visconde pensava com amargura no escandalo que acabava de dar-se, que tão fóra de proposito rebentára.
Acceitára antecipadamente, com todo o desassombro, o effeito que devia seguir-se, cedo ou tarde, á revelação do nome e do passado da esposa, mas jámais calculara que essa revelação se faria em circumstancias tão estrondosas e desagradaveis.
Apesar do espirito independente que possuia, Antonino conservava comtudo certos prejuizos de raça, de educação, impossiveis de fazer desapparecer por completo.
Ao atravessar na carruagem os caes desertos calculava com tristeza o que se passaria no dia seguinte.
Parecia-lhe estar vendo já o aspecto severo de sua irmã, e até de seu pae, a frieza dos seus amigos, e a circumstancia, mais dolorosa ainda, de sua esposa não continuar a ser recebida pela primeira sociedade de Saint-Malo.
Laura, pelo seu lado, magoada pelo silencio do marido, dizia comsigo que nada tinha de que censurar-se.