Laura offendeu-se pela frieza e rispidez que d'aquella carta transparecia.

Nem Antonino se dera ao incommodo de lhe responder!

Era o pae que intimava á fugitiva aquella especie de sentença, com ares de juiz justiceiro!

O que houvera no seu procedimento de tão reprehensivel e criminoso que justificasse uma tal attitude?

Se ella na realidade fosse uma mulher culpada, se tivesse trahido e deshonrado seu marido, d'accordo que a tratassem por aquella fórma!

Teria provocado a colera de toda a familia d'Antonino, e até o despreso geral, se assim fosse.

Mas a verdade era que o seu procedimento, uma vez que estava dentro das leis estabelecidas, não podia ser julgado com tanta severidade por seu sogro ou por seu marido.

A injustiça, elevada ao excesso d'injuria, revoltou o espirito nobre e altivo de Laura.

A sua consciencia e o seu coração diziam-lhe que não merecia ser tratada de semelhante modo.{259}

Resolveu, pois, por muito que a penalisasse uma tal abstenção, guardar o mais completo silencio, para que a sua dignidade não soffresse a menor quebra.