Desempenhava superiormente o papel d'um drama, nada mais.

Se ella representava com tanto ardor e enthusiasmo, se cantava o inegualavel dueto d'amor com tanta paixão pessoal, deixando n'elle, por assim dizer, a sua alma, não era um tenor qualquer que ella escongurava, que ella adorava com aquelle abandono e aquellas lagrimas, mas o homem que amava, o homem que não via, mas que estava sempre presente á sua imaginação, o homem que primeiro lhe revelára as alegrias celestes que podem gosar duas almas irmãs.

E Antonino sentia agora vontade de rir da horrivel visão que tivera, como se ri quando a luz do dia nos mostra os objectos sob as suas verdadeiras formas, deturpadas pela illusão das trevas. Estava já{275} completamente senhor de si quando o panno caiu, no fim do espectaculo, para de novo se levantar ás duas chamadas que o publico enthusiasmado fez a Laura.

O visconde sentia-se satisfeito pela resolução que tomara, antes de partir para Paris.

Sahiu, deu a volta ao edificio do theatro e entrou pela porta do palco, perguntando ao porteiro onde era o camarim de madame Laura Linda.

Entrou.

Ao atravessar um corredor, viu Lauretto Mina que sahia do foyer.

O tenor, ainda vestido de Raul, ia de certo para o seu camarim. Ao ver Antonino, recuou admirado.

—O sr. de Bizeux! disse elle estupefacto.

Mas quasi immediatamente voltou-lhe a presença d'espirito, e accrescentou no tom de cortezia que exasperava Antonino: