Antonino levou-a, com Jacintha, logo que o espectaculo terminou, encantado,—tanto como ella, de resto,—da sua nova felicidade conjugal.

Combinaram, como regra geral, mas sem prejuiso de quaesquer outras noites, que elles partiriam para o ninho em seguida a cada representação, quando Laura estivesse ainda vibrante da emoção que lhe causassem os applausos, e duplamente palpitante da vida do papel que desempenhára e da vida propria.

Antonino assignára um fauteuil d'orchestra junto á scena.

Como d'antes, applaudia pouco a Linda, não juntava as suas ás acclamações que a chamavam nos finaes d'acto.

Mas como d'antes, mais do que d'antes talvez, saboreava em silencio o extasi em que o mergulhava a voz da mulher adorada.

Ella, pelo seu lado, não lhe sorria, não o olhava.

Mas sabia que o visconde estava proximo, conhecia a cadeira em que elle se sentava, e como era para Antonino que cantava, jámais cantara melhor.

O visconde nunca mais sentiu ciumes de Lauretto Mina, ou de quem quer que fosse.

Ambos se consideravam felicissimos por aquella{286} encantadora vida, alegre como a phantasia, doce como o habito.

O creado d'Antonino, de cada vez que o visconde não dormia em casa, dizia que elle ficava em casa de Linda.