E então, minha querida, tinha ou não razão quando lhe dizia na ilha de Cézambre,—lembra-se?—que{288} o seu casamento não me parecia dos mais serios? Os habitantes de Saint-Malo, que não primam pela finura, parece que viram o demonio quando tiveram conhecimento de semelhante união. De resto, acho que procedeu sensatamente definindo a sua situação. Vale mais ter um amante certo, de que um marido duvidoso.
—Sinto-me satisfeitissima por merecer a sua approvação! respondeu Laura no mesmo tom.
—Por esta fórma, proseguiu Lauretto, todos terão esperanças. Os que estão apaixonados pela sua pessoa,—e eu creio que pelo menos conhece um,—veem agora augmentar infinitamente o numero das probabilidades favoraveis.
—Suppõe isso? Pois eu supponho que o numero de probabilidades não augmenta nem diminue pelo facto do sr. de Bizeux ser meu marido ou meu amante. O que influirá n'esse numero é que eu ame ou não o sr. de Bizeux.
—Perdão! o caso é diverso! insistiu o tenor.
E accrescentou, dirigindo-se ao baritono, que n'esse momento entrava no foyer:
—Não é verdade, Gressier, que amando eu Laura Linda, tenho mais probabilidades de conseguir os meus fins defrontando-me com um amante de que tendo na frente o marido?
—Está enganado, sr. Lauretto Mina, apressou-se{289} Laura a responder sem dar tempo a que o baritono fallasse. Não é porque eu ame um outro homem que não o amaria ao sr. Posso não amar ninguem, que nem por isso lhe pertencera o meu amor.
E voltando as costas ao tenor, sahiu.
—Ah! ah! decididamente não avanças um passo, meu caro! disse Gressier, rindo.