Apesar d'isso Jacintha ficára singularmente lisongeada por contar, na collecção dos seus admiradores, um artista, um verdadeiro artista, de que grande quantidade de damas da primeira sociedade tinham disputado a posse, segundo ella suppunha.

Em Saint-Malo, na numerosa creadagem das casas proximas, Jacintha, sempre picante e attrahente, fôra muito cortejada.

E não tinham sido apenas os creados a darem-se a esse passatempo.

Os proprios patrões deram-se ao incommodo de render homenagens á creada de Laura.

Afinal, na grande sociedade—está provado!—as cosinhas não recebem peor gente que os salões.

Lembrar-se-hão sem duvida que, na manhã em que Laura resolvera abandonar a casa de seu marido, encontrára vasio o quarto de Jacintha.{293}

No dia seguinte, quando a creada se reuniu á cantora em Paris, Laura admoestou-a com toda a severidade, como costumava.

Sem se incommodar com a torrente de lagrimas que corria pelas faces de Jacintha, e com as quaes a creada tratava lavar a falta commettida, Laura demonstrou-lhe quanto era indigno um procedimento d'aquella ordem.

Disse-lhe que a devia abandonar completamente.

Mais uma vez, porém, lhe perdoaria, sob condição de Jacintha lhe dar a sua palavra de que não voltaria a praticar o menor desmando.