Era jovial com os seus companheiros de theatro, mas sabia fazer-se respeitar.
Fôra cortejada por muitos homens; soubera, porém, com rara habilidade, repellir suavemente tanto os que lhe fallavam de casamento, como os que só lhe fallavam d'amor.
Jamais dissera que não se casaria, mas a primeira condição que estava resolvida a impor ao noivo, se um dia o tivesse, era conservar-se no theatro, o que fazia diminuir as probabilidades d'encontrar marido rico.
Pozzoli, o director do Scala de Milão, que na epoca em que se passa esta historia dirigia a Opera Italiana em Paris, pedira a mão de Laura ao pae da cantora.
Mas, além de ter uma reputação equivoca, Pozzoli contava evidentemente, casando com a Linda, possuir sem concorrencia e sem despendio, uma primadona de primeira ordem.
Dizia-se até que seguia esse systema de ha muito, amancebando-se com varias das suas contractadas.
Casando com Laura, Pozzoli faria diminuir as difficuldades com que luctava como emprezario.
Em Milão, um compositor de talento apaixonou-se{37} doidamente pela diva, e, ainda que fosse pobre, não era de certo o interesse que o movia a dar-lhe o seu nome e a sua vida.
Laura, porém, não sentia a mais insignificante parcella d'amor pelo que tanto a adorava, e como elle comprehendesse essa triste verdade, sahiu de Milão para Florença.
O numero dos que apenas procuravam o amor de Laura era superior aos que desejavam casar com ella.