—Eil-o aqui... O doutor leu:

—ANTONINO DE BIZEUX.

—Conhece-o?

—De vista, apenas. Tenho-o encontrado em varios salões. É considerado como um original, meio selvagem. Lembro-me de o ver muitas vezes na Opera, e, se bem me recordo, dizia-se que elle estava apaixonado pela minha querida Laura.

—Engano! Quando muito estaria apaixonado pela minha voz. Se arriscou a vida, para salvar a minha, estou certa que foi unicamente por suppôr que não ha outra cantora que lhe faça sentir as mesmas emoções de dilettante.

—Parece-me isso inverosimil, observou o medico. Verá que, como recompensa, elle não se contentará{48} com a promessa d'uma nova escriptura na Opera. Já a veiu ver, sem duvida?

—Pedi-lhe que viesse, e assegurou-me que viria saber como eu estava. Julguei que tivesse vindo de manhã, emquanto dormi, mas não encontrei o cartão d'elle entre os outros.

—Se suppõe que será recebido, como merece, só se apresentará depois do meio dia. Entretanto lembre-se que não lhe receito só o que mandei buscar á pharmacia: é necessario que guarde um repouso absoluto. Prohibo-a de receber quem quer que seja.

—Tem de abrir uma excepção para o meu salvador, replicou Laura com vivacidade. A ingratidão não é droga que o doutor receite a ninguem, com certeza.

—Bem! Farei a excepção pedida! disse Despujolles sorrindo. Registo, comtudo, que a minha amiga desobedece ás prescripções do seu medico, o que é grave.